Um grupo de dezenas de professores do ensino superior, de diferentes instituições de todo o país, subscreveram ao documento "Manifesto contra o uso da 'inteligência' artificial generativa".  O manifesto que procura "promover a humanização do ensino superior e banir o uso da 'inteligência' artificial generativa", afirma que o "dilúvio digital" que se vive "constitui um dos maiores problemas enfrentados pelas instituições de ensino superior, pelos professores e pelos estudantes".

O documento continua, considerando os estudantes "as grandes vítimas do mundo digital, indefesos perante um avanço tido como inevitável da IA sobre tudo aquilo que constitui a vida académica". Acrescentam que o uso destas ferramentas afeta o trabalho dos estudantes promovendo "fraude e plágio em série", impactando a sua saúde mental e tornando estes "em cretinos digitais" que demonstram "pouca curiosidade intelectual".

Quanto à sua situação, os professores do ensino superior dizem que esta não é melhor. Os novos desafios que enfrentam fruto do "dilúvio digital" geram uma sensação de "impotência e desalento", dando exemplos como "trabalhos artificiais sistematicamente nivelados pela mediania de um chatbot" ou "apresentações orais que não vão para além do papaguear de frases desconexas e expressões que denunciam ausência de autoria".

Os professores concluem o manifesto afirmando que "recusar a utilização da IA no contexto do ensino é simultaneamente a escolha mais difícil e também a mais urgente", referindo a proibição dos smartphones nas escolas como precedente.